Marketing e mídia · 8 min de leitura

ROAS: como calcular e qual é o ideal para o seu e-commerce

Fórmula do ROAS, a diferença entre o número da plataforma e a venda real da loja, e como achar o ROAS mínimo a partir da sua margem de contribuição.

William MeloSócio-fundador da Maze AnalyticsUm dono de loja de pé gesticula para o painel de mídia na parede enquanto o gestor de mídia mexe no laptop sobre a mesa, com cartões de ROAS real e margem ao lado da tela

ROAS é a sigla de return on ad spend, o retorno sobre o gasto com anúncios: a receita que as campanhas geraram dividida pelo valor investido nelas. Se a loja gastou R$ 10 mil em Meta e Google Ads no mês e essas campanhas trouxeram R$ 40 mil em vendas, o ROAS foi 4, ou 400%: cada real em anúncio voltou como quatro reais em receita. A conta é simples. O difícil é decidir qual receita entra nela e qual ROAS é bom para a sua loja, e as duas respostas dependem da margem.

Os pontos-chave:

  • ROAS = receita atribuída aos anúncios ÷ gasto em anúncios. ROAS 4 (ou 400%) é R$ 4 de venda por R$ 1 investido.
  • A plataforma mede um ROAS e a loja mede outro. Meta e Google contam as vendas que atribuem a si mesmos, e a soma passa do que a loja faturou.
  • Não existe ROAS ideal universal. O mínimo sai da margem de contribuição: com 40% de margem, o ROAS precisa passar de 2,5.
  • ROAS não é lucro. Ele ignora custo do produto, frete, taxa e imposto.
  • Otimizar só pelo ROAS pode destruir margem. Cupom, frete grátis e produto barato inflam a receita atribuída e encolhem o que sobra.

Como calcular o ROAS e o que entra na conta

A fórmula é ROAS = receita gerada pelos anúncios ÷ valor gasto em anúncios. O resultado se lê como múltiplo (3,2) ou como porcentagem (320%). O Google Ads usa a segunda forma na documentação do lance por ROAS desejado: US$ 5 em vendas para US$ 1 de anúncio dá 500% de ROAS.

O denominador é o que a plataforma cobrou no período. O numerador é onde a conta se decide, e três escolhas mudam o resultado:

  1. Que valor de venda entra. No Google Ads, o valor de conversão só serve para algo se a conta enviar um valor, e a documentação lembra que ele pode ser um padrão fixo ou diferente para cada venda. Loja que manda valor fixo está medindo quantidade de pedidos, e o ROAS dali não fala de receita.
  2. Receita bruta ou receita paga. Pedido cancelado, boleto que expirou e devolução aparecem como receita para a plataforma, que só vê o evento de compra. Na loja, esse dinheiro nunca entrou.
  3. Qual período. O cliente que clicou no dia 28 e comprou no dia 3 conta em qual mês? A plataforma tem uma regra; o financeiro da loja tem outra.

Por que o ROAS da plataforma é maior que o da loja

A Meta define a métrica de ROAS de compras como o retorno calculado sobre o valor das compras recebidas das ferramentas conectadas, como o pixel e a API de Conversões, e atribuídas aos seus anúncios. A janela padrão dessa atribuição, segundo a referência da API de Insights, é de 7 dias após o clique e 1 dia após a visualização. O Google Ads faz o mesmo com a regra dele.

Um cliente clica num anúncio no Instagram na segunda e não compra. Na quarta, pesquisa a marca no Google, clica no anúncio de busca e fecha o pedido. A Meta atribui a venda a si, pelo clique de segunda; o Google também, pelo de quarta. A loja registrou um pedido e os gerenciadores, dois. O artigo sobre modelo de atribuição mostra por que cada ferramenta chega a um número diferente para a mesma venda.

Por isso vale manter dois ROAS, com nomes distintos:

ROAS de plataforma ROAS sobre a venda real
Receita conversões atribuídas pelo gerenciador pedidos pagos registrados na loja, por origem
Quem conta Meta e Google, cada um pela própria regra a plataforma da loja ou o ERP
Cancelamento e devolução ficam dentro saem
Para que serve comparar campanhas dentro da mesma conta decidir quanto investir e em qual canal
Defeito a soma dos canais passa de 100% da receita exige ligar loja e mídia numa base só

O ROAS de plataforma serve para comparar campanhas da mesma conta, onde o viés é igual. Para decidir verba entre canais, o único número que fecha com o caixa é o da loja, e é essa a conta que o dashboard de marketing e mídia paga precisa fazer.

Diagrama: um clique no Meta e um clique no Google levam a um pedido na loja, o Meta conta uma conversão, o Google conta outra e o total em mídia fica em duas vendas
Um pedido vira duas conversões quando cada plataforma conta a sua.

Qual é o ROAS ideal para o meu e-commerce

Não existe número universal, e quem promete um está chutando. O ROAS que paga a conta depende da margem de contribuição da loja: o que sobra de cada venda depois dos custos e despesas variáveis. O Sebrae a define como a diferença entre as vendas e os custos e despesas variáveis do período. No e-commerce, isso é custo do produto, frete, embalagem, taxa do meio de pagamento ou do marketplace e imposto sobre a venda.

Com a margem na mão, o ROAS mínimo, o ponto de empate, sai de uma divisão:

ROAS mínimo = 1 ÷ margem de contribuição

Uma loja com 40% de margem fica com R$ 40 de cada R$ 100 vendidos, antes da mídia. Se o anúncio custar mais que isso para gerar a venda, ela dá prejuízo. R$ 100 ÷ R$ 40 = 2,5.

Margem de contribuição antes da mídia ROAS mínimo (empata) ROAS para sobrar 10% da venda
20% 5,0 10,0
25% 4,0 6,7
30% 3,3 5,0
40% 2,5 3,3
50% 2,0 2,5
60% 1,7 2,0

A terceira coluna mostra o ROAS necessário para que, pagos os anúncios, ainda sobrem 10% da receita para custo fixo e lucro: 1 ÷ (margem menos 10 pontos). A margem da conta precisa ser a real: a da planilha de precificação costuma esquecer o frete grátis da promoção e o cupom do checkout.

Diagrama: receita bruta de 100 reais menos custos variáveis de 60 reais dá margem de contribuição de 40%, e 1 dividido pela margem resulta no ROAS mínimo de 2,5
Com 40% de margem, a mídia empata em 2,5 e só lucra acima disso.

ROAS, ROI e CAC: qual é a diferença

Os três medem retorno e respondem perguntas diferentes, mas relatório chama ROAS de ROI toda hora.

Indicador Fórmula Pergunta que responde O que ignora
ROAS receita atribuída ÷ gasto em mídia o anúncio devolve quanto do que custou? custo do produto, frete, taxa, imposto
ROI (ganho menos investimento) ÷ investimento sobrou dinheiro depois de tudo? depende de quem calcula o lucro
CAC gasto de aquisição ÷ clientes novos quanto custa trazer um cliente novo? quanto esse cliente compra depois

ROAS 4 com 25% de margem dá ROI zero: os R$ 4 de receita deixam R$ 1 de margem, exatamente o que o anúncio custou.

O CAC olha a mesma verba por outro ângulo: quanto custou cada cliente novo, contra a margem que ele deixa ao longo do tempo. Loja com recompra alta aceita ROAS abaixo do mínimo na primeira venda, porque o cliente volta sem mídia. O artigo sobre CAC faz essa comparação passo a passo.

Como o ROAS sobe enquanto a margem cai

Quem otimiza só pelo ROAS aprende três atalhos, e os três inflam o numerador enquanto esvaziam o caixa:

  • Cupom de desconto. O anúncio com "15% off" converte mais e o ROAS sobe. Com 40% de margem, um cupom de 15% deixa R$ 25 de cada R$ 85 vendidos: a margem cai para menos de 30% e o ROAS mínimo sobe de 2,5 para 3,4. Campanha que seguia em 3 passou a dar prejuízo sem que o gerenciador mostrasse nada.
  • Frete grátis. A receita do pedido não muda; o custo do frete sai do cliente e entra na loja. O ROAS fica igual, a margem cai, e em ticket baixo o frete come a margem inteira.
  • Produto de margem baixa como isca. O item mais barato converte melhor e puxa o ROAS da conta para cima. Com 15% de margem, ele precisa de ROAS 6,7 para empatar, e o gerenciador o mostra como vencedor com 4.

Como acompanhar o ROAS por campanha e por produto

O gerenciador já entrega o ROAS de plataforma por campanha. O ROAS sobre a venda paga e a margem vêm de fora, em três ligações:

  1. Marcar a origem do pedido na loja. UTM na URL de cada anúncio, com o mesmo nome de campanha do gerenciador, para que o pedido registrado em Shopify, VTEX ou Nuvemshop carregue de onde veio.
  2. Levar o custo de cada produto para a base. Custo de aquisição, frete médio e taxa por canal, por SKU ou ao menos por categoria.
  3. Juntar gasto, pedido pago e custo numa mesma base, com a data e a regra de atribuição definidas. Daí saem o ROAS real e a margem por campanha e produto.

O relatório então ganha três colunas: ROAS da plataforma, ROAS sobre a venda paga e margem depois da mídia. Campanha que ganha na primeira e perde na terceira pede decisão, e o que se otimiza é a margem depois da mídia, com o ROAS como caminho até ela. O painel de marketplaces aplica a mesma lógica aos canais de venda: compara cada um pelo que sobra da venda.

Perguntas frequentes

O que é um ROAS bom?

É o ROAS acima do mínimo da sua loja, e o mínimo é 1 dividido pela margem de contribuição. Com 30% de margem, abaixo de 3,3 cada venda dá prejuízo; com 50%, o corte é 2. Comparar com a média do mercado não diz nada.

ROAS 3 é bom?

Depende da margem. Com 50% de margem de contribuição, ROAS 3 deixa R$ 0,50 por real investido em anúncio. Com 25%, perde R$ 0,25 por real. O mesmo número é lucro num caso e prejuízo no outro.

Por que o ROAS da Meta é diferente do do Google Analytics?

Cada ferramenta atribui a venda pela própria regra. A Meta conta compras dentro da janela de 7 dias após o clique e 1 dia após a visualização; o GA4 usa outro modelo e só enxerga o que o tagueamento registrou. A loja registra o pedido uma vez, e é esse o número que deve decidir verba.