Principais e-commerces do Brasil e como o mercado funciona
Quem lidera o e-commerce brasileiro, quanto o mercado fatura, por que o marketplace domina e o que a loja de porte médio aprende com os grandes.

O maior e-commerce do Brasil é o Mercado Livre, seguido por Shopee, Amazon e Magazine Luiza. Os quatro concentram a maior parte das vendas online do país e têm uma coisa em comum: são marketplaces, ou seja, vendem produto de terceiros além do estoque próprio. O mercado inteiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, segundo a Abiacom (o nome atual da ABComm), e a projeção para 2026 passa de R$ 259 bilhões.
Os pontos-chave:
- Mercado Livre lidera em volume vendido e em receita; a Shopee reúne mais de 3 milhões de lojistas brasileiros.
- O mercado brasileiro fechou 2025 em R$ 235,5 bilhões, com 438,9 milhões de pedidos e 94,2 milhões de compradores.
- Marketplace é o modelo dominante: até o varejo tradicional, como o Magalu, vende mais de um terço do online por vendedor parceiro.
- A loja média disputa cliente com os grandes em preço, frete e prazo, e perde quando decide no escuro.
- O que os grandes têm de copiável é o método: eles medem tudo, todo dia, e decidem por dado.
Qual é o maior e-commerce do Brasil hoje?
O Mercado Livre. Em 2025 a empresa registrou receita líquida de US$ 28,9 bilhões, alta de 39% sobre o ano anterior, e um volume bruto de mercadorias (GMV) de US$ 65 bilhões na América Latina, com 2,4 bilhões de itens vendidos e 120 milhões de compradores únicos. O Brasil é o principal mercado da companhia: no quarto trimestre, os itens vendidos no país cresceram 45% e o GMV, 35%, descontada a variação do câmbio.
A Shopee vem em segundo e disputa a liderança em audiência e em quantidade de vendedores. A plataforma informa mais de 3 milhões de lojistas brasileiros, e diz que 90% das vendas saem de empresas locais. O volume, portanto, vem de loja brasileira, muitas delas pequenas.
Amazon e Magazine Luiza completam o grupo de frente. A Amazon não divulga número do Brasil. O Magalu divulga: no quarto trimestre de 2025, o e-commerce da empresa somou R$ 12,2 bilhões, sendo R$ 7,6 bilhões de estoque próprio e R$ 4,6 bilhões de vendedores parceiros. Atrás vêm Casas Bahia, Americanas, Shein e Temu.
Um cuidado ao ler ranking: por audiência, a Shopee encosta; por GMV, o Mercado Livre lidera; por receita própria, quem vende estoque próprio ganha. Antes de repetir "o maior", veja qual medida está por trás.
Qual é o tamanho do mercado de e-commerce no Brasil?
Segundo a Abiacom, o comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, crescimento de 15,3% sobre 2024. Foram 438,9 milhões de pedidos, ticket médio de R$ 536,60 e 94,2 milhões de compradores. Para 2026 a associação projeta R$ 259,8 bilhões, alta de 10,3%, com 460,9 milhões de pedidos.
Dois detalhes importam para quem opera loja. O volume de pedidos cresce mais rápido que o ticket médio: o brasileiro compra mais vezes e gasta menos por vez, o que aumenta o peso de frete, embalagem e atendimento em cada venda. E a projeção de crescimento cai de 15% para 10%: o mercado segue crescendo, mas o crescimento fácil, o de vender porque ninguém mais vendia online, ficou para trás.
| Indicador | 2025 (realizado) | 2026 (projeção) |
|---|---|---|
| Faturamento | R$ 235,5 bilhões | R$ 259,8 bilhões |
| Crescimento sobre o ano anterior | 15,3% | 10,3% |
| Pedidos | 438,9 milhões | 460,9 milhões |
| Ticket médio | R$ 536,60 | R$ 562,15 |
| Compradores | 94,2 milhões | 97,1 milhões |
Fonte: Abiacom, dados divulgados em fevereiro de 2026.
Como o marketplace mudou o jeito de vender online?
Há dez anos, "ter um e-commerce" significava site, estoque e mídia próprios. Hoje o modelo dominante é o marketplace: a plataforma cuida de tráfego, pagamento e, em boa parte, de logística; o lojista entrega o produto e paga comissão. Mercado Livre e Shopee nasceram assim, e o varejo tradicional foi atrás: mais de um terço do online do Magalu já vem de vendedor parceiro.
Para a loja média, o marketplace é o maior canal de venda e, ao mesmo tempo, o maior concorrente. Ele vende o seu produto e o do vizinho na mesma página, decide a ordem de exibição, define a comissão e muda a regra de frete quando quer. Você ganha alcance e perde controle sobre margem e sobre a relação com o cliente.
| Modelo | Quem faz | O que a loja controla | O que a plataforma controla |
|---|---|---|---|
| Marketplace puro | Mercado Livre, Shopee | produto, preço, estoque | tráfego, exibição, comissão, pagamento, boa parte da logística |
| Varejista com marketplace | Amazon, Magazine Luiza, Casas Bahia, Americanas | produto, preço, estoque | tráfego, exibição, comissão, e ele também vende contra você com estoque próprio |
| Loja própria (VTEX, Shopify, WooCommerce e outras) | a própria marca | tudo, inclusive o cliente | nada, mas o tráfego custa mídia |
Quase toda loja de porte médio opera nas três linhas ao mesmo tempo, e aí a conta fica difícil: cada canal registra a venda de um jeito, cobra taxa diferente e devolve relatório em formato próprio. Comparar canal com canal exige um painel de marketplaces que coloque tudo na mesma régua, com a taxa e o frete de cada um já descontados.
O que muda para a loja de porte médio?
O primeiro efeito é pressão em margem. Os grandes usam frete grátis e prazo curto como arma comercial, e o cliente passa a esperar isso de qualquer loja. Para quem não tem escala logística, o frete decide se a venda deu lucro ou prejuízo. Sem enxergar a margem por pedido, a loja cresce em faturamento e encolhe em resultado sem perceber.
O segundo efeito é a dependência de canal. Quando 60% ou 70% da venda vem de um marketplace, uma mudança de comissão ou de algoritmo de exibição muda o mês inteiro. Quem acompanha a participação de cada canal toda semana enxerga a concentração antes de ela virar problema; quem só olha o total descobre quando o total cai.
O terceiro efeito é o mais silencioso: o excesso de número. Cada plataforma entrega o próprio painel, o gerenciador de anúncios outro, o Analytics um terceiro, o ERP um quarto, e nenhum fecha com o outro. A equipe gasta a reunião conferindo de onde veio cada número e não sobra tempo para decidir. Esse é o problema que um dashboard para e-commerce bem montado resolve: uma fonte, uma régua, e a origem de cada número visível.
O que a loja média consegue aprender dos grandes?
Não dá para copiar a escala, a verba de mídia nem a malha logística do Mercado Livre. Dá para copiar o jeito de decidir: nenhum dos grandes ajusta preço, frete ou sortimento por sensação. Eles medem, comparam com a semana anterior e mudam o que saiu da faixa. A loja média faz o mesmo, em escala menor, com cinco hábitos:
- Margem por pedido, e não só receita. Custo do produto, frete, comissão e taxa de pagamento descontados em cada venda, por canal. É o único jeito de saber se o marketplace que mais vende é também o que mais rende.
- Comparação automática contra a semana e o ano anterior. Número solto não diz nada; número contra a referência diz se a queda de terça é sazonal ou problema.
- Retorno de mídia calculado sobre a venda real da loja, e não sobre o que a plataforma de anúncio declara. Meta e Google atribuem a si mesmos conversões que se sobrepõem; somadas, passam da receita.
- Participação de cada canal acompanhada toda semana, para ver a concentração crescer antes que ela vire risco.
- Poucos indicadores, os mesmos todo dia. Os grandes têm centenas de métricas, mas a decisão do dia a dia se apoia em poucas. Escolher quais é o trabalho descrito em como definir indicadores que orientam decisões.
O que nós vemos em cliente de e-commerce é que o primeiro hábito é o que mais muda a operação. Quando a margem por pedido aparece por canal, é comum um marketplace que parecia bom deixar de parecer, e um canal pequeno que ninguém olhava passa a merecer verba.
Quando falar com a Maze Analytics
Faz sentido conversar com a gente quando a loja já vende em mais de um canal, tem mídia paga rodando e a equipe perde tempo conferindo número em vez de decidir. Nosso serviço de dashboards para e-commerce liga loja virtual, marketplaces, Meta Ads, Google Ads, GA4 e ERP na mesma base, calcula o retorno de mídia sobre a venda que a loja registrou e entrega margem por dia, por categoria e por canal, com relatório semanal pronto na segunda de manhã.
Não faz sentido quando a loja vende em um canal só, com volume pequeno, e o relatório nativo da plataforma ainda responde as perguntas. Nesse estágio, o painel do marketplace e uma planilha de margem bem feita resolvem, e o dinheiro rende mais em produto e mídia. Quando o segundo canal entrar e os números deixarem de bater, a conversa passa a valer.
Perguntas frequentes
Qual é o maior e-commerce do Brasil?
O Mercado Livre. Em 2025 a empresa teve receita líquida de US$ 28,9 bilhões e GMV de US$ 65 bilhões na América Latina, com o Brasil como principal mercado. A Shopee disputa a liderança em audiência e em número de lojistas, com mais de 3 milhões de vendedores brasileiros, mas não divulga volume financeiro separado do Brasil.
Quanto o e-commerce brasileiro fatura por ano?
Segundo a Abiacom, R$ 235,5 bilhões em 2025, com crescimento de 15,3% sobre 2024, 438,9 milhões de pedidos e ticket médio de R$ 536,60. A projeção da associação para 2026 é de R$ 259,8 bilhões, alta de 10,3%.
Vale mais a pena vender em marketplace ou em loja própria?
Para a maioria das lojas de porte médio, nos dois. O marketplace traz alcance e cliente novo com custo de mídia menor; a loja própria traz margem melhor e a relação com o cliente. O erro comum é somar os dois num só número: a venda no marketplace paga comissão e frete que a loja própria não paga. Compare margem por pedido, canal a canal.
Como uma loja média compete com Mercado Livre e Shopee?
Sem tentar competir em escala. A loja média ganha em sortimento especializado, atendimento, marca e velocidade de decisão. Os grandes decidem por dado em escala enorme; a loja média decide por dado em escala pequena, olhando margem por pedido, participação por canal e retorno real de mídia toda semana. É o que separa quem cresce com lucro de quem cresce só em faturamento.
Os números de GMV dos grandes servem de referência para a minha loja?
Como contexto, sim; como meta, não. GMV soma tudo que passou pela plataforma, inclusive venda de terceiros, e não diz nada sobre margem. A referência útil para a sua loja é a própria série histórica: a mesma semana do ano anterior, o mesmo canal, o mesmo produto. É contra isso que os grandes se comparam.


