Dashboards e BI · 9 min de leitura

Principais e-commerces do Brasil e como o mercado funciona

Quem lidera o e-commerce brasileiro, quanto o mercado fatura, por que o marketplace domina e o que a loja de porte médio aprende com os grandes.

William MeloSócio-fundador da Maze AnalyticsDuas pessoas de pé num escritório olham um painel na parede com gráficos de barras por canal, uma apontando a tela e o laptop aberto na mesa, com cartões de marketplaces e margem real ao redor

O maior e-commerce do Brasil é o Mercado Livre, seguido por Shopee, Amazon e Magazine Luiza. Os quatro concentram a maior parte das vendas online do país e têm uma coisa em comum: são marketplaces, ou seja, vendem produto de terceiros além do estoque próprio. O mercado inteiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, segundo a Abiacom (o nome atual da ABComm), e a projeção para 2026 passa de R$ 259 bilhões.

Os pontos-chave:

  • Mercado Livre lidera em volume vendido e em receita; a Shopee reúne mais de 3 milhões de lojistas brasileiros.
  • O mercado brasileiro fechou 2025 em R$ 235,5 bilhões, com 438,9 milhões de pedidos e 94,2 milhões de compradores.
  • Marketplace é o modelo dominante: até o varejo tradicional, como o Magalu, vende mais de um terço do online por vendedor parceiro.
  • A loja média disputa cliente com os grandes em preço, frete e prazo, e perde quando decide no escuro.
  • O que os grandes têm de copiável é o método: eles medem tudo, todo dia, e decidem por dado.

Qual é o maior e-commerce do Brasil hoje?

O Mercado Livre. Em 2025 a empresa registrou receita líquida de US$ 28,9 bilhões, alta de 39% sobre o ano anterior, e um volume bruto de mercadorias (GMV) de US$ 65 bilhões na América Latina, com 2,4 bilhões de itens vendidos e 120 milhões de compradores únicos. O Brasil é o principal mercado da companhia: no quarto trimestre, os itens vendidos no país cresceram 45% e o GMV, 35%, descontada a variação do câmbio.

A Shopee vem em segundo e disputa a liderança em audiência e em quantidade de vendedores. A plataforma informa mais de 3 milhões de lojistas brasileiros, e diz que 90% das vendas saem de empresas locais. O volume, portanto, vem de loja brasileira, muitas delas pequenas.

Amazon e Magazine Luiza completam o grupo de frente. A Amazon não divulga número do Brasil. O Magalu divulga: no quarto trimestre de 2025, o e-commerce da empresa somou R$ 12,2 bilhões, sendo R$ 7,6 bilhões de estoque próprio e R$ 4,6 bilhões de vendedores parceiros. Atrás vêm Casas Bahia, Americanas, Shein e Temu.

Um cuidado ao ler ranking: por audiência, a Shopee encosta; por GMV, o Mercado Livre lidera; por receita própria, quem vende estoque próprio ganha. Antes de repetir "o maior", veja qual medida está por trás.

Qual é o tamanho do mercado de e-commerce no Brasil?

Segundo a Abiacom, o comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, crescimento de 15,3% sobre 2024. Foram 438,9 milhões de pedidos, ticket médio de R$ 536,60 e 94,2 milhões de compradores. Para 2026 a associação projeta R$ 259,8 bilhões, alta de 10,3%, com 460,9 milhões de pedidos.

Dois detalhes importam para quem opera loja. O volume de pedidos cresce mais rápido que o ticket médio: o brasileiro compra mais vezes e gasta menos por vez, o que aumenta o peso de frete, embalagem e atendimento em cada venda. E a projeção de crescimento cai de 15% para 10%: o mercado segue crescendo, mas o crescimento fácil, o de vender porque ninguém mais vendia online, ficou para trás.

Indicador 2025 (realizado) 2026 (projeção)
Faturamento R$ 235,5 bilhões R$ 259,8 bilhões
Crescimento sobre o ano anterior 15,3% 10,3%
Pedidos 438,9 milhões 460,9 milhões
Ticket médio R$ 536,60 R$ 562,15
Compradores 94,2 milhões 97,1 milhões

Fonte: Abiacom, dados divulgados em fevereiro de 2026.

Como o marketplace mudou o jeito de vender online?

Há dez anos, "ter um e-commerce" significava site, estoque e mídia próprios. Hoje o modelo dominante é o marketplace: a plataforma cuida de tráfego, pagamento e, em boa parte, de logística; o lojista entrega o produto e paga comissão. Mercado Livre e Shopee nasceram assim, e o varejo tradicional foi atrás: mais de um terço do online do Magalu já vem de vendedor parceiro.

Para a loja média, o marketplace é o maior canal de venda e, ao mesmo tempo, o maior concorrente. Ele vende o seu produto e o do vizinho na mesma página, decide a ordem de exibição, define a comissão e muda a regra de frete quando quer. Você ganha alcance e perde controle sobre margem e sobre a relação com o cliente.

Modelo Quem faz O que a loja controla O que a plataforma controla
Marketplace puro Mercado Livre, Shopee produto, preço, estoque tráfego, exibição, comissão, pagamento, boa parte da logística
Varejista com marketplace Amazon, Magazine Luiza, Casas Bahia, Americanas produto, preço, estoque tráfego, exibição, comissão, e ele também vende contra você com estoque próprio
Loja própria (VTEX, Shopify, WooCommerce e outras) a própria marca tudo, inclusive o cliente nada, mas o tráfego custa mídia

Quase toda loja de porte médio opera nas três linhas ao mesmo tempo, e aí a conta fica difícil: cada canal registra a venda de um jeito, cobra taxa diferente e devolve relatório em formato próprio. Comparar canal com canal exige um painel de marketplaces que coloque tudo na mesma régua, com a taxa e o frete de cada um já descontados.

O que muda para a loja de porte médio?

O primeiro efeito é pressão em margem. Os grandes usam frete grátis e prazo curto como arma comercial, e o cliente passa a esperar isso de qualquer loja. Para quem não tem escala logística, o frete decide se a venda deu lucro ou prejuízo. Sem enxergar a margem por pedido, a loja cresce em faturamento e encolhe em resultado sem perceber.

O segundo efeito é a dependência de canal. Quando 60% ou 70% da venda vem de um marketplace, uma mudança de comissão ou de algoritmo de exibição muda o mês inteiro. Quem acompanha a participação de cada canal toda semana enxerga a concentração antes de ela virar problema; quem só olha o total descobre quando o total cai.

O terceiro efeito é o mais silencioso: o excesso de número. Cada plataforma entrega o próprio painel, o gerenciador de anúncios outro, o Analytics um terceiro, o ERP um quarto, e nenhum fecha com o outro. A equipe gasta a reunião conferindo de onde veio cada número e não sobra tempo para decidir. Esse é o problema que um dashboard para e-commerce bem montado resolve: uma fonte, uma régua, e a origem de cada número visível.

Diagrama: painel do marketplace, gerenciador de anúncios, Google Analytics e ERP passam por uma régua única de dados e chegam a uma visão unificada por canal
Quatro painéis que não fecham entre si viram uma leitura só quando passam pela mesma régua.

O que a loja média consegue aprender dos grandes?

Não dá para copiar a escala, a verba de mídia nem a malha logística do Mercado Livre. Dá para copiar o jeito de decidir: nenhum dos grandes ajusta preço, frete ou sortimento por sensação. Eles medem, comparam com a semana anterior e mudam o que saiu da faixa. A loja média faz o mesmo, em escala menor, com cinco hábitos:

  1. Margem por pedido, e não só receita. Custo do produto, frete, comissão e taxa de pagamento descontados em cada venda, por canal. É o único jeito de saber se o marketplace que mais vende é também o que mais rende.
  2. Comparação automática contra a semana e o ano anterior. Número solto não diz nada; número contra a referência diz se a queda de terça é sazonal ou problema.
  3. Retorno de mídia calculado sobre a venda real da loja, e não sobre o que a plataforma de anúncio declara. Meta e Google atribuem a si mesmos conversões que se sobrepõem; somadas, passam da receita.
  4. Participação de cada canal acompanhada toda semana, para ver a concentração crescer antes que ela vire risco.
  5. Poucos indicadores, os mesmos todo dia. Os grandes têm centenas de métricas, mas a decisão do dia a dia se apoia em poucas. Escolher quais é o trabalho descrito em como definir indicadores que orientam decisões.

O que nós vemos em cliente de e-commerce é que o primeiro hábito é o que mais muda a operação. Quando a margem por pedido aparece por canal, é comum um marketplace que parecia bom deixar de parecer, e um canal pequeno que ninguém olhava passa a merecer verba.

Diagrama: da receita bruta descem custo do produto, comissão do canal, frete e taxa de pagamento até a margem real por pedido
O primeiro hábito a copiar: descontar cada custo pedido a pedido, por canal.

Quando falar com a Maze Analytics

Faz sentido conversar com a gente quando a loja já vende em mais de um canal, tem mídia paga rodando e a equipe perde tempo conferindo número em vez de decidir. Nosso serviço de dashboards para e-commerce liga loja virtual, marketplaces, Meta Ads, Google Ads, GA4 e ERP na mesma base, calcula o retorno de mídia sobre a venda que a loja registrou e entrega margem por dia, por categoria e por canal, com relatório semanal pronto na segunda de manhã.

Não faz sentido quando a loja vende em um canal só, com volume pequeno, e o relatório nativo da plataforma ainda responde as perguntas. Nesse estágio, o painel do marketplace e uma planilha de margem bem feita resolvem, e o dinheiro rende mais em produto e mídia. Quando o segundo canal entrar e os números deixarem de bater, a conversa passa a valer.

Perguntas frequentes

Qual é o maior e-commerce do Brasil?

O Mercado Livre. Em 2025 a empresa teve receita líquida de US$ 28,9 bilhões e GMV de US$ 65 bilhões na América Latina, com o Brasil como principal mercado. A Shopee disputa a liderança em audiência e em número de lojistas, com mais de 3 milhões de vendedores brasileiros, mas não divulga volume financeiro separado do Brasil.

Quanto o e-commerce brasileiro fatura por ano?

Segundo a Abiacom, R$ 235,5 bilhões em 2025, com crescimento de 15,3% sobre 2024, 438,9 milhões de pedidos e ticket médio de R$ 536,60. A projeção da associação para 2026 é de R$ 259,8 bilhões, alta de 10,3%.

Vale mais a pena vender em marketplace ou em loja própria?

Para a maioria das lojas de porte médio, nos dois. O marketplace traz alcance e cliente novo com custo de mídia menor; a loja própria traz margem melhor e a relação com o cliente. O erro comum é somar os dois num só número: a venda no marketplace paga comissão e frete que a loja própria não paga. Compare margem por pedido, canal a canal.

Como uma loja média compete com Mercado Livre e Shopee?

Sem tentar competir em escala. A loja média ganha em sortimento especializado, atendimento, marca e velocidade de decisão. Os grandes decidem por dado em escala enorme; a loja média decide por dado em escala pequena, olhando margem por pedido, participação por canal e retorno real de mídia toda semana. É o que separa quem cresce com lucro de quem cresce só em faturamento.

Os números de GMV dos grandes servem de referência para a minha loja?

Como contexto, sim; como meta, não. GMV soma tudo que passou pela plataforma, inclusive venda de terceiros, e não diz nada sobre margem. A referência útil para a sua loja é a própria série histórica: a mesma semana do ano anterior, o mesmo canal, o mesmo produto. É contra isso que os grandes se comparam.